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Sobreviver…

19/04/2011

Minha amiga perdeu a mãe. Um mês depois, o pai. Na semana seguinte a cadelinha de estimação.
Não lhe caberia o poema aquele onde tudo está perdido “mas tens ainda um cão”
Diante de certos fatos não há o que dizer, nenhum consolo é capaz de resolver.
Levei dias até conseguir lhe telefonar, quando chegaram dois amigos meio eufóricos atrapalhando a ligação. Expliquei,não adiantou muito não… Sei lá porque naquele momento o mundo inteiro coube na minha cabeça. É assim que as coisas são, as pessoas não se importam muito com o que não lhes é próximo ou conhecido… Mas quem não conhece a dor de perder um querido?
De novo eu não encontrava o que dizer, nem pra elas nem pra eles. A indiferença me tornou muda e um tanto apática. Ultimamente tenho tido que lidar com coisas tão maiores que eu, que criarei um personagem, tem que ser um gigante, feito os bonecos do carnaval de Olinda…

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Não Gosto

23/11/2010

Se eu sumir, desaparecer ou morrer virarei o que?
Lembrança para aqueles que me amaram ou odiaram.
Alegria para os que não vão lá muito com a minha cara
Lamento para quem não aproveitou minha companhia.
Vão sobra de mim, textos esquartejados em blogs
autorais e apócrifos…
Resíduo de alguém que mesmo sendo inteira jamais conseguiu juntar-se
Vitórias curtas e bobas de quem jamais se realizou
Poemas sem valor que os críticos ignorarão.
Quem viveu tão contraditoriamente pra dizer que é contra
não pode reclamar.

Eu vivi pra dizer que discordo do amor eterno dos contos de fadas
Das vitória roubadas por erros ou desacertos dos juízes de futebol
Eu ficaria feliz de deixar o mundo e nele milhares de não gosto
Não gosto de puxasaquice.
Das pessoas que no Face Book curtem o boa noite da estrela
quando ela só diz goodnight
Nem daquelas que dizem você está lind apra foto de gente feia famosa postada no twitter
suada e descabelada de lápis de olho borrando o olhar as 4 da manhã…
Não gosto das fotos photoshopadas, exageradas nos maços de cigarros

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De amor, poemas e mortes

23/11/2010

Como se morre quando começamos a viver?
Como não ser idiota por motivos de amor?
Como se faz quando aquele velho amor pra nós é tão novo
mas se torna uma velha canção enfadonha ao ouvido do amado?
Como reverter a impaciência em energia nova, feito flores que voltam a cada estação?
Ou buscar o dom de perdoar feito um verdadeiro cristão?
A verdade é que não se foge das rimas baratas, vulgares pois na dor todo peito sangra
Não há como ser poeta diante da tragédia comum.
Eu perdi o dom da poesia quando encontrei o caminho da implosão,
os mais belos poemas explodem em risos de morte
Deboches da sorte, dormências, semências e dor.
Foi só um castelo de areia que que o mar levou…
Poetas não calam, poetas exalam, aquilo que engolimos
fingindo provar.
Nosso amor foi como morrer, daquelas mortes que chegam sem dizer
sem bilhete nem explicação.
Aquela morte que nos acolhe no meio do dia,
que interrompe um sonho na noite
daquelas sem tempo pra se despedir
Daquelas que ao se saber não se entende porque.
Mas ainda assim posso dizer meus melhores momentos
foram com você.

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20/11/2010

Meu pai não se casou com minha mãe. Namorou com ela, fez-lhe um filho, morou com ela. Com a mesma simplicidade, um dia não moravam mais e complexamente não conseguiam manter essa distância. Assim iam e vinham, simplicidade dos que se amam, loucura de um amor demais e torto com o qual não se consegue conviver.
Tudo isso eu imagino, ninguém me contou, histórias são feitas de fatos, construídas pelas certezas e só o passado sempre traz conclusões, contudo, ninguém conta o que as pessoas sentem, apenas o que fizeram.
Ela tinha 19 anos, ele 17, mas não tenho certeza quanto a esses números. Tive uma irmã que nasceu primeiro, 10 meses depois eu nasci. Uns meses depois se separaram. Não sei porque, sei o que disseram, mas o que disseram não me parece verdade. A verdade que nós não vivemos, jamais saberemos. Não importa, não mudaria nada, somente a verdade deles poderia mudar alguma coisa. A mentira também.
Com nove meses, minha irmã foi levada para casa de uma tia irmã do meu pai que morava no bairro de Campo Grande. Eu, fui entregue num portão para um casal que teria condições de cuidar de mim, consta que eu tinha uma doença se não grave, feia que me enfeiava, não sei não tenho fotos. Dizem que as fotos só vieram quando minha aparência melhorou – no meu modo de ver, nãod everia ter nenhuma até hoje. Tenho muitas lembranças, como um sonho sem pé nem cabeça, onde se está aqui e ao mesmo tempo lá. Não lembro do que acontecia, apenas do que sentia. Não sei o que era, sei o que eu via.
Lembro de umc arro preto com um estribo generoso, em pé nele segurando-se na janela um menino branco de cabelos negros um que tinha na cabeça um cocar de índio e cantava “tristeeeeeeeeza, por favor vá embooooooooora”. Largo da Freguesia, próximo do rio sangrador, carnaval, o ano não lembro, mas lembrando dessa forma a música não me parece tão antiba. A minha infância não é antiga, a minha vida não envelheceu.
Lembro de uma fantasia que diziam chamar-se sarongue e lembro que achava esse nome feio pra caramba e ainda acho. Chegando desse carnaval, sei que dormi num berço e fiz cocô na cama. Me lembro de todos muito grandes e eu mínima atravesando a sala, sem conseguir andar direito e lembro que náo tive vergonha. Talvez eu não soubesse o quera cocô. Talvez eu não entendesse o que significava estar cagada na frente das visitas, mas dos gritos e broncas lembro que não entendi absolutamente nada.
Eu lembro do dia que a TV chegou à casa, mas não lembro como era a casa sem TV. Havia algumas noites que faltava luz e conversava-se à luz e sombras de lamparinas. Tínhamos lampiões de querosene e lamparinas, confundo-me com os períodos de frequente falta de energia e períodos que não tínhamos luz. Mas eu gostava da falta de luz, era quando mais se conversava. Meus irmão faziam brincadeiras com as sombras na parede, falavam coisas extremamente engraçadas, era quase uma festa. Porque a luz voltava? A casa me parecia gande, enorme. Por uma época não tinha piso, mas tinha cristaleira repleta de lindas jarras trabalhadas, algumas coloridas. Uma garrafa bojuda parecendo cristal, desenhada ficava rodeada de pequenos copinhos desenhados com listras vermelhas. Uma garrafa entalhada, azul, com tampa de vidro e seus cálices, pequeninas tacinhas azuis. Taças de todos os jeitos, copos e mais copos. Eu não sabia a diferença entre riqueza e pobreza, ams tudo aquilo era lindo de se ver, depois que cresci tornou-se apenas difícil de se limpar e manter arrumado e me parecaim lembranaçs de uam aritocracia que nunca vi de verdade. Tínhamos uma mesa quadrada, de madeira escura e pesada, com as bordas do tampo entalhadas. Cadeiras com desenhos, cadeiras de braço, ma snão tinha água na pia da cozinha nem no banheiro, nem mesmo soalho no chão. Sobre a pia da cozinha uma “lata de 20″ com água e caneco para lavar a louça. No banheiro uma pia cuja torneira os desavisados insistiam em tentar abrir e querer ver a água corre para lavar as mãos, o que só se podia fazer no tanque… A casa tinha 2 quartos que não tinham portas, mas tinha cortina às vezes. As janelas de madeira, antigas e verdes.
20/11/2010
Difíceis de fechar e de abrir. Hoje penso que minha infância tinha caracteríticas fantasmagóricas como aquelas janelas. Cresci entre sombras e sustos. Minhas lembranças são mesclas de noites intensas e coloridos dias de sol. Melodias da voz do vento, açoite de árvores, desejos jamais realizados e dias altamente solares pintados com tintas fortes fabricadas pelos meus sentimentos, sonhos e imaginação. Eu sempre saí do meu mundo interior para encontrar as cores do dia, as sombras da noite, cedo desisti de encontrar pessoas, no entanto nunca consegui viver sem elas, as maiores solidões que tive na vida foram vividas acompanhadas. Tarde descobri que tanto faz estar só ou não quando o tema é ser solitário.

Eu poderia dizer que se teve alguém nesse mundo que viveu, esse alguém fui eu. Não vivi como o Guinle playboy que curtiu horrores de riqueza e admiração. Não vivi como pop star que persegue a fama e depois passa a se esconder das pessoas com desejos de privacidade. Também não vivi como um intelectual de sucesso e seus conflitos entre a notoriedade e timidez. Não fui garota de nada, nem da capa, nem do Fantástico e embora tivesse um corpo explêndido não posei nua pra ninguém, talvez uma ou outra vez num relacionamento mais picante tenha tirado umas fotos nalgum motel ou em casa mesmo na saída dos meus pais. Fora isso aproveitei desse belo corpo usando roupas ousadas mas pelo que possa lembrar, jamais vulgares. Beijei bastante, namorei pouco, casei muito, transei mais do que costumam fazer os casais depois que o início se torna meio e caminha pro final. Aproveitei pouco a popularidade, sim eu era uma garota popular mas não sabia. Mas tudo o que vivi, hoje percebo que foi muito intenso e creio que jamais me perdi de mim. Vivi de dentro pra fora, como se eu fosse uma casa para onde eu sempre retornava invariavelmente sem dia e hora marcados o tempo todo. Sempre fui minha própria referência e difícil foi desembaraçar o novelo formado entre o que eu era e o que faziam de mim. O que era genuimente meu e o que seria influência, interferência, anuência daquelas que praticamos pra não sofrer… Até perceber que sofremos muito mais quando o sofrimento não da nossa natureza. Talvez eu tenha sido uma pessoa estranha, mas nunca me estranhei. Aprendi aos poucos ao longo do tempo a me admirar e aí uma coisa aconteceu: eu me tornei postar local!

A minha casa era assim, móveis de madeira de lei, cristaleira com vidros e cristais, mas o piso era de terra batida. O banheiro quase espaçoso com vistosa pia sem água parecia uma pegadinha para as visitas. Tomávamos banho de caneco e bacia. Lavava-se a louça quase que da mesma forma. Uma casa contraditória e moradores idem. Um amplo quin tal fartamente plantado: abacateiro, goiabeiras, flores e ervasde tempero, onze horas, sempre-vivas, trombetas e papoulas. No início uma cerca viva pensava que era muro. E minha mãe era o homem da casa. Minha mãe foi alguém que quando lembro dela avalio que ela deixou de ser mulher para tornar-se uma pessoa e caminhava sem saber para categoria gente. Minha mãe era muito gente. Não sei se seus conceitos eram gerados numa personalidade forte ou em conceitos que copiou, criou, desencavou numa seleção que protegesse a ela e a nós do mal. O problema era justamente saber o que exatamente era realmente mal…
Uma boa parte da minha vida eu ia à escola pela manhã e muito cedo descobri que acordar cedo não era a minha praia. De tanto dar errado ou porque o sistema do colégio mudava mesmo, passei a estudar à tarde, descobrindo que este horário não propício à minha pontualidade, Quando pude estudar à noite a grande descoberta foi saber que à noite era nociva ao meu horário de voltar para a casa. Uma coisa é certa eu sempre amei ir para escola! Não consigo saber se realmente gostava de estudar. Entre o estudo, o aprender e gostar disso existem tantas coisas que interferem, como por exemplo a matéria, a professora, o recreio, a didática…
Estudava pouco algumas coisas por não ser necessário, estudava menos ainda outras coisas por ser extremamente necessário. Eu sempre brinquei de suspense comigo mesma: deixava as melhores coisas pro final e as piores também, então uma vez de posse de papel e caneta nas mãos escrevia poemas, porque isso era o que eu gostava e isso era o que eu queria fazer! A literatura era a terceira porta, a quarta via o caminho alternativo que para mim era oficial. Era o meu caminho: Ler, escrever, não mais.
Matemática era um troço que em dava medo. Tornei-me adulta com plena consciência que mais do que não gostar de matemática eu jamais tinha aprendido. Passei para o 2º grau sem saber Matemática, me livrei da parte difícil dela escolhendo um profissionalizante. Passei no vestibular sem saber Matemática. Era ela meu terror, um psicopata que me perseguia e que eu alegremente consegui driblar como numa gostosa brincadeira que sim, me dava calafrios e ao mesmo tempo enorme prazer quando sentia que a vencia. Vencia não dominando, mas provando que ela não era tão importante quanto me faziam crer.

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Amor de Contos de Fadas

15/02/2010

12/01/2010
Pessoas não são pomares, seus braços não são folhas, seus corpos não são árvores.
Pessoas não são algo à disposição de servir qualquer desejo. Pessoas não são frutos que nos garantam ainda que em algumas épocas nossa saciedade.
E por que escolher ao feitio da estética, ou de forma “eletrodoméstica”, com base nas nossas vaidades pessoais ou nas nossas necessidades funcionais?
Por que precisa-se ter algum talento, alguma beleza, alguma bondade, alguma calhordice, algo qualquer que nos destaque para que sejamos nas vitrines do mundo escolhidos por alguém? Não bastaria simplesmente um quê de amor?
Por que não conseguimos amar simplesmente sem a noção do mundo do que seja o amor? Eu destruiria todos os contos de fadas se fossem tão agradáveis de se ler…
Destruiria-os todos principalmente se eles contasse o que acontece naquela parte: “e foram felizes pra sempre”…
E por ser impossível esse traço uniforme e constante de felicidade, pénso que nasci, cresci, vivi enganada do mesmo jeito que me falavam “se você se comprtar direitinho vai ganhar presente”.
A gente se comporta muito bem e nada ganha por isso. A vida é o que tem de ser e jamais é um conto de fadas!

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Chico Buarque Acaba de salvar a Minha Vida

15/02/2010

Decidi que está na hora de não mais viver. Sim eu cansei. Não quero ser uma morta qualquer, não quero ficar feia e gerar comentários sobre isso. Não quero morrer de repente, nem na rua, nem na minha casa de Jacarepaguá onde imagino um monte de gente ficará contente e debocharão do meu corpo pesado dando trabalho ao carregado escada acima. Caraca a civilização nossa é muito idiota. No momento mais triste da vida das pessoas, deixam as coitadas expostas a tudo que elas com certeza discordavam. O México poderia dominar o mundo e obrigar a todos a clebrar a morte com festa e cachaça, tal como nascemos, morreríamos. Não quero que aquelas pessoas de lá sejam as primeiras a saber da notícia nem as primeiras a terem acesso a tudo que nos últimos 20 anos tentam roubar de mim. Puta-que-pariu! O ser humano é ridículo e tosco. Fazem guerras, criam brigas por causa de coisas que não cabem no caixão, não complementam o coração e ainda sobrecarregam a alma! Há 23 anos essas pessoas que eu não quero que me vejam morta, ocupam a casa que era da minha mãe e tentam se espraiar pela pequena quitinete em forma de vagão que construí. Eu não tenho muita coisa, sempre quis ter só que preciso pra viver, o que uso de verdade. Coisas inúteis para eles: livros, CDs de MPB e rock, cadernos com poemas e quadros. Eles se interessariam por algumas coisas que uso pouco: um ótimo sofá-cama, aparelho de som e TV, algumas roupas tão bacanas que estão novíssimas, masi que tudo o que desperta a ambição deles: o espaço. Em 23 anos se reproduziram como erva-daninha, parasitas que não produziram nada, sequer um ninho para enfiar a prole. Em dias em que não me sinto bem, vejo a vida assim, os ignorantes invadem e o restante que se mate.

Não só, mas também por isso, hoje decidi que a hora de viver acabou. Em algum momento da vida a gente tem que dar um ponto. Em algum momento da vida a decisão sensata deve ser minha.
Cansei da visão espírita de que estou aqui para fazer coisas, pagar dívidas. Não consegui amealhar nenhum patrimônio que pudesse oferecer-me paz de espírito. Cansei de ter a ilusão que num hora qualquer vou ganhar na megasena e fazer 50 pessoas felizes. Eu hoje descreio completamente da felicidade.
Assim penso que está na hora providenciar minha viagem de volta para algum lugar que espero nunca tenha ido. Vou fazer a viagem por via maritima. “É doce morrer no mar”.
Vou tomar umas biritas, 4 cervejas me derrubam. Duas caipirinhas me deixam sensível como um pêndulo de cristal. Quero ver o mar, um possível atavismo do líquido amniótico… Algumas pessoas são tão indevidas e quivocadas que sequer na barriga da mãe tem proteção. Imagino que tenha sido este o meu caso. Ponho-me a pensar: Se a notícia da minha chegada, não trouxe alegria quando eu era somente uma semente e uma esperança, algum dia após conhecida seria eu bem recebida? Tenho certeza que resolvi isso na terapia. resolvi para viver, mas nesse momento não é a vida meu objetivo. Passe mais de 20 anos em sessões de anãlise para viver melhor, só eu e descubro que serão os meus fantasmas que me receberão na morte ou exatamente ele que me encaminharão para ela. Análise se sertralina deve ser vã… Tantos me falaram isso e eu sempre desdenhei por preferir a cerveja, também tecnicamente dosada: nunca mais de 4 copos, não pelo embebedamento, mas porque odeio ressaca. Isso me faz lembra outras coisas. Eu devo ser o suporasumo da chatice. Não bebo demais pra não ter ressaca. Evitei drogas por toda a vida pra não ficar viciada. Demorei a transar pra não ficar grávida. Não tive filhos porque queria eu mesma cuidar deles e não deixá-lo a receber conceitos de uma empregada que certamente eu jamais teria se não tivesse uma criança para cuidar. A executiva foi a luta, ganhou status, ficou rica, é famosa e são mulheres da favela ou coisa parecida que ensnam pro filho da executiva o mesmo que ela ensina pro seu próprio filho. Vida de merda! Faz sentido viver. A gente não vive, a gente se entrega a um redemoinho que nos dá a ilusão de que vivemos. Nós não percebemos os cordões que comandam nosso gestos.
Por isso enchi. Eu não quer de novo começar tudo de novo! A única coisa que fiz depois dos 40 que achei legal mas não me tornei fã foi ler Charles Buckovsk, e sei lá porque foi dele que lembrei agora. Se eu fosse homem, arriscaria sair pelo mundo tipo vagabundo, bebendo em buteco barato e dormindo em jardins píublicos, fazendo uns bicos porque jamais conseguiria pedir, ainda que eu fosse homem… Com Charles eu tive uma relação de amor e ódio. Aquele homem que eu lia, me faria correr, caso o encontrasse na rua. Aquel marginal certamente que não me encantava. Mas a mente confusa e reta de quem não está preso a anda e aquele estilo de vida de galho-em-galho de um tipo que fala da porrada que deu com a mesma clareza e simplicidade que fala da porrada que levou não me deixou em paz. Porque sendo tão chegada à leitura só li Buckovsy após os 40 anos? Talvez eu preferisse o mundo mais colorido ou certamente que o feminino semre foi a minha praia mesmo. Praia, lembro que tenho um compromisso… Passei a juventude lendo Clarice Lispector, e confesso que nosso primeiro contato não foi muito amistoso, acotumada que eu estava ao universo reto e direto de Rubem Braga. Eu não me lembro em que momento me entreguei a clarice e ela me envolveu como uma amante que jamais me abandonaria por mais que eu a traísse… Muitas vezes traí a doce e complicada Clarice pela bela Lya e suas historias e lembranças. Seus sábios conselhos. É como se Clarice fosse o susto e o espanto, o medo e a surpresa de quem está em volto em tecidos finos que tornam opaco o que vemos… E Lya sempre me pareceu a mulher que vinha de algum lugar, com alguma memória e várias conclusões. Passei minha vida com Clarice, mas pediria certamente conselhos à Lya. Colo ao Tom Jobim e beber só beberia com Chico Buarque. Se eu encontro com o Chico Buarque, teríamos um atropleado de olhares, um tumulto de silêncio. A cada momento que nos exergássemos, baixaríamos tímidos a cabeça e eu não conseguiria lhe fazer pergunta alguma. Imagino que beberíamos e seriam seus olhos verdes que me deixariam irreversivelmente embriagada. Penso emd eixar de viver noutro momento, acabao de achar um motivo pra viver, eu e Chico vivemos na mesma cidade e se nos encontramos, imagino que jamais nos falaríamos, contudo é um bom motivo.

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ATUALIZAÇÃO DE POSTAGEM:

10/01/2010

A página MEMÓRIAS foi atualizada em 10/01/2009

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Anonimato

07/01/2010

Se antes aprendia a rir dos meus desesperos, rir sem jamais gargalhar, hoje fico entediada com a minha desesperança, excesso de limites e falta de horizontes.
Lamentavelmente resta-me informar ao restante da humanidade que tornei-me uma pessoa comum. Uma pessoa qualquer. Acordei pra o fato de posso mudar o mundo tanto quanto qualquer outra pessoa com menos possibilidades.
Não, eu não errei em nada!
Jamais usufrui da arrogância, no entanto, pequei pelo excesso de humildade e todos os que comentem este pecado a ele sucumbem tornando-se vítimas pra sempre. Foi assim com o santos católicos. É assim com o próprio Avatar Cristão. Lamentável perceber que isso muda mentes, mas mentes sem poder nada modificam e poder póstumo, é arma poderosa nas mãos dos inimigos assassinos dos nossos ideais e vidas.
Vivemos num país onde um o poder corrompe, deixa-se corromper e destrói tudo o que poderia ser feito. Seremos reis daquilo tudo que jamais houve!

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Feliz? ou O BEIJO E A DROGA

21/12/2009

E agora, você pode se considerar feliz?
Você conquistou o que tanto desejava segundo você mesma.
Você tentou de várias formas e conseguiu. Parabéns!
Espero que esteja satisfeita em ter conseguido.
Espera que esteja certa de que foi bom.
Espero que não tenha dúvidas quanto ao restante.
Provavelmente você estará feliz por ter sido algo adqurido sem custo, ou seja, nenhuma perda poderá advir do ato em si. O que foi feito foi feito, registre-se no livro cármico e tenha-se dito para rever-se culpas e resgates mais à frente, posto que neste exato momento, nenhuma culpa lhe cabe por ter feito aquilo a que se achava no direito de fazer. Apenas prazer, um fugaz prazer, com ligeiro de tremor como aqueles que roubam o que seu deveria ter sido deste a fundação dos pilares do mundo!

Ou muito me engano ou logo que passe o barato você perderá sua paz. Porque a medalha de hoje é simplesmente compromisso de mais treinos amanhã. Ninguém que tenha obtido algum dia uma vitória, desejar-an ter apenas esta em sua história. É quase comoum currículo que deverá ser modificado tão logo se perceba defasado…

Eu penso em você acordando de manahã com um sorriso bobo na cara, um olhar de spanto pro dia, a cara sorridente na janela a dar bom dia ao próprio dia. É doce a sensação de conquista, principlamente quando ela pe uma conquista em si mesma. Quanod não se mantem qualquer expectativa de não a de se dizer pra sim emsma e quem sabe pras amigas mais tarde: Consegui!

De minha parte nada a declarar, afinal quem sou pra legislar sobre desejos alheios, a não ser que Uma concessão tomada, não é concedida… Eu não decidi fazer uma boa ação e lhe dar como presente algo que tanto você queria… Eu apenas me pergunto que instinto seria esse, que em nenhum momento se pergunta como o outro se sentiria ao ser deflorado. Que um defloramento em seus conceitos é tão mais agressivo que uma violência física e extremamente mais veemente que um carinho no corpo.

Espero qeu você tenha querido um beijo, mas não foi isso que a sua respiração demonstrou. Beijos como drogas acabam por nçao ter uma finalidade em si mesmos. Ambos são ponta de icebergs. Sequelas de desejos sonhados e detão sonhados que são, verdadeiros, mas tanto o beijo quanto as drogas significam muito mais que a sua prática e uso em si.

Se eu beijo eu digo eu te amo, quero te conhecer e quero muito mais ou posso querer cada vez mais. Se eu me drogo eu me digo, eu não estou feliz, quero experimentar e se for bom quero muito mais. A droga se oferece e é oferecida, o beijo precisa ter em tempo integral a contrapartida…

Se era somente isso que você queria, pergunto-me que tipo de sentimento é esse?
Colecionador.
Que tipo de ato é esse?
Flanela macia num ego ferido..

Que este objetivo alcançado, não te sorria agora de longe te acenandodo e dizendo:
Só isso?

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22/03/2007

24/10/2009

Quando eu comecei a namorar, isto há 6 meses todo mundo falava que ia dar errado.Todo mundo dizia que eu era do mal…Nunca fui, mas quem falava nem me conhecia,nunca tinha me visto,então nem liguei.

Eu estava feliz porque tinha feito uma coisa grande que ninguém tem coragem!Eu estava orgulhosa de mim!Eu me apaixonei da noite pro dia,por uma pessoa totalmente desconhecida e que todo mundo falava pra eu ter cuidado porque ela nada a ver e de quebra me apixonei por mim mesma!
Nada a ver que a gente se encontrou de repente,do nada e a gente só se falou 1 mes depois por telefone e só ficou mais um tempo depois. Mas a gente sabe quando bate na cama certa!
Cama decide a relação? Uma cama boa e afeto mau?Um afeto bom e uma cama asim-assim?Aí voces vão me dizer que sem afeto não tem cama boa… Claro que tem!Afeto é uma coisa mais profunda,cama é pele e pele é a primeira camada do corpo,não dá pra esconder,nem pra trocar…
A gente não assume quando gosta demais de cama,sexo. A gente não assume quando não gosta.A gente tem preconceito de ser “tarado” ou assexuado.Acho que são heranças culturais,essa coisa de todo mundo faz, mas a gente finge que não é importante e no entanto todo essa cidade,país,mundo é regido por sexo agregado ao dinheiro e não poderia faltar a mentira…

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A Ponte

24/10/2009

Eu estive na igreja. Não agora, mas há muitos anos. MInha vida era chata, eu era uma criança-problema – ainda bem que passa porque lgo nos tornamos adultos-problema ou adultos-com-problema, muitas vezes nem adulto nem criança, somos simplesmente o problema. O problema é não enxergarmos que que NÓS SOMOS O NOSSO PRÓPRIO PROBLEMA… Mas isso é presente, falemos pois do passado. Eu tinha feito catecismo e 1ª Comunhão, mas sei lá porque, não me lembro dei o pé na igreja.
Um dia na escola tinha um som de violão, uma turma que sempre se reunia com uma determinada professora. Ela era católica e frequentava um grupo jovem bem bacana, daqueles que faziam shows super profissionais para quem assistia e muito amador para quem produzia porque a grana era toda de doações dos membros do grupo e pedidos de por favor me empresta seu palco.
Mas era um grupo e eu voltei pra igreja porque lá tinha gente da minha idade, gente que ria e conversava. Claro que eu acreditava em Deus, mas a fé e a salvação não são necessariamente a mesma coisa.
Hoje eu penso que muitas pessoas, como eu fiz um dia, vão para as igrejas para terem um grupo social e adotam comportamentos mais para estarem num contexto do que pela religião em si. Naquele tempo eu discordei sem perceber. Eu pensava que não era estar na igreja para estar salva, mas praticar certos princípios a fim facilitar o caminho da salvação. Ter com quem conversar certas coisas e estar perto de pessoas com mais afinidades por serem do mesmo grupo e terem objetivos comuns. Enganei-me, o fato de estar num mesmo lugar não quer dizer que se busca a mesma coisa. A salvação é um fim que pressupõe mudanças imediatas. Não é salvo quem é religioso, mas quem é bom e essa salvação não é para os amigos e inimigos verem é para você se sentir em paz copm a sua própria consciência por agir dentro dos seus valores e o grupo só vai ajudar se tiver valores semelhantes, caso contrário só atrapalha.
No período que estive lá foi muito bom, primeiro porque tinha como preencher meu tempo serm a minha mãe pegar no meu pé (eu não tinha pai). Depois porque me propiciou vivenciar a diversidade de pessoas no mundo por mais que estivesse num ambiente digamos, limitado. Também porque estudei pra caramba, aprendi muita coisa, me apaixonei por filosofia e descobri que filosofia não é aquela coisa antiga de gregos e alemães. Pegar principios afins, introjetá-los no coração e permitir que evoluam junto com você, deve ser isso que imaginaram quando criaram religiões. O grupo vem pra facilitar e posteriormente para dominar, para facilitar os seres a cumprirem deveres que propiciariam à mais alta hierarquia religiosa atingir seus interesses…

Faltou sentir na religião mais ênfase à bondade e à caridade do que respeito aos dogmas. Leis existem para que se faça através do medo e/ou do respeito o que não conseguimos fazer por amor ou simplesmente por ser o correto. Por que o 1º mandamento é não matar? Se praticarmos o principal mandamento de toda e qualquer religião – o amor – jamais mataremos!
Então se Cristo veio à Terra com a Boa-Nova, o antigo testamento seria um registro histórico, não algo mais a ser cumprido ao pé da letra. Se a Lei de Talião foi suprimida em detrimento do “Amai-vos uns aos outros”, o que não quer para ti, não o faças ao próximo, não teríamos mais nós que buscarmos respaldo em leis obsoletas em fatos antigos que não se aplicam mais ao nosso tempo.
Descoberto isso e umas coisinha mais, saí da igreja! Sem brigar com Deus que creio até hoje. Na paz com Cristo, exemplos dos exemplos. Vou à missa de vez em quando, rezo sempre. Gosto muito de ler o Livro dos Salmos. Rei Salomão era o cara! Já naquele tempo louvava, cantava, pedia, lamentava tudo diretamente com Deus e ponto!
este contato com a religião vivenciada através de grupos de ação em prol do próximo mostrou-me na prática que podemos sim sempre fazer algo por alguém e que nem sempre a proposta religiosa seja exatamente esta, afinal qualquer igreja é uma organização.
Por isso a ponte. Atravessei o período crítico de todo ser humano adquirindo conhecimentos e vivencias que me sustentaram por toda a vida. Tive minha fase de carola e tive a minha fase de ver a trave no meu próprio olho. Tive ímpetos de seguir Frncisco de Assis e tive momentos São Agostinho, mas não era nada disso que eu queria viver, mas eram estes valores que eu precisava para contruir a minha vida. Conheci outras religiões, igualmente pontes, mas a verdade agrega, o amor congrega e todo conhecimento reforça um ser indisciplinado, questionador como eu.

Quando via minha sobrinha indo pra igreja arrumadinha como se fosse ao baile, sorria e nada comentava, mas sabia que toda aquela produção não necessariamente para Deus… Jamais comentei, cada vivência ao seu tempo. E quando vi sua irmã com seus pricípios rígidos, dividindo a vida entre cristão e não-cristãos, pedi a deus que log ela encontrasse o capítulo que falasse da misericórdia. Se o mundo está em fragmentos provavelmente começou quando dividiram a humanidade pelas peles das caças que vestiam. O culto ao poder começou quando os semi-primatas se destacaram nas caças, na força do braço e quando os inteligentes os usaram como fonte de alcançar a riqueza/poder. Sempre partimos pro julgamento a partir das diferenças e aí o mundo foi se tornando cada vez mais desigual. Não olhamos pro ser humano como nós, olhamos para o que aquele ser humano como nós tem de diferente de nós; às vezes levamos vantagem e isso é um perigo, às vezes saímos na desvantagem e isso é um problema… Preciso comentar mais?

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Passando a Limpo

13/10/2009

21092009 – 13102009
Eu deveria dizer pra você que eu sei que viver dói.
Crescer dói.
Que só escreve bem quem sente a dor na mesma proporção que pode gargalhar alto e repentinamente.
Dissesse isso a você e talvez eu não teria ouvido que as minhas palavras são belas.
Eu não teria te respondido que prefiro as palavras certas, essas sim, são belas!

Dissesse eu tanta coisa que ia por trás dos meus olhos eu não teria me magoado.
Eu não teria permitido que você me magoasse.
Mas que diferença faz se quando magôo alguém me sinto ferida também?
Eu não me arrependo, porque sei em são consciência que jamais te feri.

Eu achava que você era um pouco como eu.
Eu sei o quanto dói as dores de uma bipolaridade que hoje é um clichê de gente mimada.
Eu pensei que você estava no mundo dos incompreendidos que sofrem por não saberem ser claros o suficiente por mais que esclareçam.
Eu pensei que você estivesse no grupo daqueles que não se expõem porque a frágil fibra do coração é de aço, se não quebra, deforma-se ao expandir-se.
Eu pensei que você pensasse que o mundo é sinistro e maldoso.
Eu pensei que você vivesse de modo desconfortávelno mundo.
Eu pensei que você precisasse, como eu, de ter um momento ou alguém em que fosse possível tirar a máscara do socialmente aceito e daquilo que as pessoas precisam ver na cara da gente…
Eu confiei em você.
Eu pedi que você jamais me traisse.
E até pensei que essa traição fosse coisa adolescente, uma forma de não ver os segredos expostos num briguinha qualquer de escola ou escolha.
Eu sei, a gente cresce e não esquece que atacar o outro é a melhor defesa, que é fácil bater em bêbado, que se o cão é manso nada demais chutá-lo.
A criança é perversa e bota o dedo na ferida porque não sabe o que é dor.
Muitos de nós crescemos assim.
Sem um nome certo para aquilo que sentimos, mas com o golpe certo para passar para o outro o que nos incomoda…

Pra você foi simples assim.
Se muda.
Emudece.
Vai.
E é só chamar isso de crescer.
E é só dixer que isso é se proteger.
(Adultos se protegem, porque muitas vezes no outro se espelham)
É facil dizer:
bati em você, mas não foi por você foi por mim…

Eu deveria ter contado que eu sei que há amores que nos são impostos por laços que não necessariamente atamos e que por isso se tornam nós que vamos ao longo da nossa obrigação de viver, apertando.
Eu deveria ter falado o óbvio que é amar os pais e mães e filhos somente por isso ou quem sabe pelo tempo convivido e pela barra pesada e forçada que temos que segurar. Que amigos escolhemos e isso faz deles os seres mais sagrados domundo. Mas porque dizer o que é recorrente.
Eu deveria ter dito que eu não sou uma pessoa comum, mas isso qualquer um que me conheça sabe.
Eu não sei se vou dizer o quanto me dói sentir o que estou percebendo. Eu sofro pelo que não há e me dói o que não houve.

Pensar que aquela pessoa que eu via e me demonstrava precisar de proteção, esperar de mim compreensão é simplesmente uma pessoa sempre pronta a partir justamente quando as coisas dão certo ou simplesmente por que as coisas não dão certo.

Eu não quero pensar que você foi uma fraude.
Eu não quero pensar que você é uma pessoa mimada daquelas que querem tudo e não sendo tudo, preferem o nada…
Eu preferi não dizer tantas coisas porque eu ia magoar você. Ainda que você tenha preferido um caminho de ironias e dissimulações.
De tudo isso fico feliz porque você consegue ir pelo caminho mais fácil. Mas eu não sei se isso é bom, para mim não seria.

Ainda que você diga que veio a mim dizendo verdades, eu não entendo. Nada foi mais sem verdade quanto os motivos que você me deu.

Você jamais me reconheceu. A minha ingenuidade jamais te pareceu verdadeira e eu tola, achei que pudesse te mostrar, te convencer. Talvez você tenha desistido e vai se fácil esquecer.
Se fosse um amor eu esqueceria muito mais facilmente.
Se fosse dor eu me curaria rapidamente.

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Virou a Esquina e Sumiu

12/10/2009

300909
Oi!

“Ando pelas tampas”como dizia a minha avó. E hoje foi um dia onde tive vontade de mandar pros infernos as boas maneiras, alguma cordialidade e esse jeito babaca de depois me arrepender se magoar alguem. É assim que as pessoa são, quando não são um dia ficam…

Pensei que este poderá ser um e-mail bomba. E daí, estaríamos voltando a gênese de tudo, só que invertidamente. Eu sou difícil, mas acho que depois de ver tantas vezes a mesma peça sobre Clarice Lispector e ler tantos livros seus, ninguém fica muito fácil. A gente começa a se compreender ou a se perder, a gente começa a se pensar.

Sim, eu estou enrolando e isso é coisa de quem escreve monólogos que nunca irá recitar.

Eu estava feliz, eu era feliz por ter uma amiga. Uma amiga que nunca ou quase nunca era disponível e que me deu o que tinha de mais raro: seu tempo. Era pouco, mas era. A gente ria e às vezes planejava chopes que quase nunca tomados nem derramados e por nunca existir, existiam.
Chopes virtuais!

Um dia ela virou uma esquina e se perdeu de mim.
Mentiu pra mim dizendo que havia perdido-se de si mesma…
Nada contra as perdas, muito menos contra os descaminhos. Só não precisava mentir. “Pra que mentir, fingir que perdoou?”
A pessoa que retornou não era a pessoa que eu conhecia. Talvez o fato seja que ela tenha se perdido e talvez pra sempre…
Minha amiga foi para uma festa e nunca mais voltou, morreu sem morrer, matou-se diante dos meus olhos. Morreu por mim.
Retornou outra pessoa, alguém que eu conhecia de vista.
Exatamente aquela pessoa que ela só era com os outros.
Ela nunca se explicou, ela não tem o que se explicar. Mas eu preciso entender e confesso que entendi, muito além do que qualquer um possa supor. Quando nos encontramos não nos explicamos, nos identificamos e agora apenas não nos reconhecemos. Não nos identificamos mais. Deu erro, como num pc fudido que o arquivo está ali e simplesmente não abre.
Eu, hóspede da utopia, ela passageira da agonia.
Uma agonia de sofrer, sorrindo a dizer que é feliz sabendo ou não…

Hoje tenho uma pessoa que arma armadilhas como que se desejasse me surpreender em más ações que eu não pratico… Isso não me assustou, eu não me assusto com o que já sei. Eu lembro que há muito tempo ela não sabia se eu era coitada ou se eu era bem-feito, mas naquele tempo eu era uma senhora promessa. Eu lembro que ela disse que não havia ninguém tão inocente e tudo começou. Eu lembro que ela disse que eu a conhecia demais e tudo terminou. Se a beleza tem a fúria a inocência tem empáfia, orgulho, soberba…

Se ela não mudou, ela se escondeu…
Ela diz coisas que nada tem a ver e não quer entender o que eu possa dizer. Seria fácil resolver, nada mais digo, nada mais ouço, vamos colecionar abobrinhas ou vamos não nos ver nunca mais.

Mas se eu te contar que isso dói?

*
121009
Se eu te contar que 12 dias depois só não dói porque não esqueci. Mas não é o fim do mundo.

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Motivos

21/09/2009

Eu poderia ter dito que havia entre nós a coisa mais mágica, séria e sagrada do mundo: cumplicidade.
Eu poderia ter dito que fomos muito além do limite de qualquer amor comum gerado da coincidência que é o encontro de duas pessoas na mesma cidade.
Eu deveria ter contado que eu sei que há amores que nos são impostos por laços que não necessariamente atamos e que por isso transformam-se em nós que vamos, ao longo da obrigação de conviver apertando. Eu deveria ter falado dessa obviedade que é amar os pais, as mães aos filhos simplesmente por este elo, este laço, esta razão de parentesco, só por isso ou quem sabe pelo tempo convivido e pela barra pesada e forçada que temos que segurar.
Deveria sim, ter dito que amigos escolhemos e isso faz deles os seres mais sagrados do mundo.
Mas porque dizer o que é recorrente?
Eu deveria ter dito que eu não sou uma pessoa comum, mas isso qualquer um que me conheça sabe.
Eu não sei se vou dizer o quanto me dói sentir o que estou percebendo.

Eu sofro pelo que não há e me dói o que não houve.

PARTE 2

Aquela pessoa que eu via e me acenava como que a necessitar de proteção, que esperava de mim compreensão, hoje me falou como simplesmente uma pessoa sempre pronta a partir justamente quando as coisas dão certo ou simplesmente por que as coisas não dão certo.
Eu não quero pensar que você foi uma fraude.
Eu não quero pensar que você é uma pessoa mimada daquelas que querem tudo e não sendo o tudo, preferem o nada…
Eu preferi não dizer tantas coisas porque eu ia magoar você. Ainda que você tenha preferido um caminho de ironias e dissimulações.
De tudo isso fico feliz porque você consegue ir pelo caminho mais fácil. Mas eu não sei se isso é bom, para mim não seria, ainda que você diga o que veio a mim dizendo, verdades, que eu na entendo, se entendo não aceito e sinceramente não acredito. Nada pode ser verdade nesses motivos que você me deu.
Então devolvo seus motivos, eles não me interessam não porque não sejam do meu interesse, mas porque não acredito neles. E o bom disso que os motivos são seus, não sou eu que preciso ficar com eles nem gostar deles, nem neles crer. Guarde seus motivos e volte assim que tiver motivos para proximidade tão consistentes para você quanto esses do afastamento

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08/09/2009

Um dia estava numa boate com um amigo de um amigo, ambos gays. Ele subia e descia como se fosse um elevador desgovernado. Olhava de um lado para outro tal qual um ventilador oscilando. Confesso que embora não fosse tão menina tinha nenhuma experiência em aocmpanhar homem gay ou não numa noite de caça, em ter amigo gay e mesmo de estar em uma qualquer companhia não selecionada por mim. Em algum momento meu primo que er ameu acompanhante oficial desapareceu me deixando com aquela adorável, porém estranha e pouco familiar criatura.

Ele avistou um rapaz, olhou pra mim por cima do ombro com aquela olhadinha de quem que se dá ao levantar no ônibus antes de puxar a cordinha da campainha:
-”É bofe.”
- han?!…
Paramos, ou melhor ele me parou e falava como se fosse para si mesmo. – Bonito, cabelo cafona. Ah, fumante! Fumante… Fumante, não dá.
E corria para outra direção da boate. Nesse dia fiz uma descoberta e passei a conviver com um mistério. Descobri que o sucesso daquela boate residia justamente em ser grande, enorme, cheia de pistas, salas, salões, corredores, escadas. Dada a natureza de seus frequantadores ela funcionava como um espaço de selva urbana perfeito para a caça. O mistério das pessoas que avaliam superficialmente uma outra pessoa a fim de saber se rola ou não… Relembrando essa noire percebi que sofro da mais absoluta, crônica e aguda falta de critério. Pior tenho critérios que precisam de alguma convivência para avaliar. Deveria ter a prendido nas oportunidades que a vida me deu, a ter um chek list direto, objetivo mas o que tenho de mais objetivo diz respeito a tipo físico, item que vai por terra mediante determinadas caracteríticas que a pessoa possa ter…
Sempre desejei namorar pessoas que tivessem próximo da minha altura, mas minha primeira namorada tinha 1,70. A seguinte 1,50. Sempre gostei de loiras mas minha priomeira paixão era morena de cabelos negros, descendente de árabes. Éramos normalistas de uma escola tradicional de um subúrbio do Rio de Janeiro. Tinha que ser suburbano para ousar estudar para professores em meados da década de 80. Ali e selei meu destino certamente. Uma escolha que fiz para dar uma alegria à minha mãe. Devo ter sido guiada pela mão do inconsciente, em detrimento da mão do destino que toda menina bonita, bem feita de corpo e tolamente suburbana encontrava para atravessar a vida… Busquei aquele colégio para alegrar minha mãe, encontrei uma escolha de destino, mas vamos combinar que aos 15 anos o destino nos encontra onde quer que estejamos para nos obrigar escolher seja lá o que for.

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