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PSICOMEMÓRIAS

Todas as bobagens familiares fazem um puta estrago em nós. E nada podemos fzer pra reverter. Um grito de segundos, se torna um tremendo gasto em sessões de terapia. E se não há terapia, seguimos tortos, desnivelados mundo a fora…

Ninguém consegue saber sobre o dia em que bloqueou no cérebro a estante dos números que poderiam facilitar o aprendizado de matemática…

Ninguém percebe o dia em que lambeu o selo da sorte e colou no envelope que o faria gay…

E porque ficamos rústicos e porque  ficamos burros e porque somos soberbos…

Eu lembro de quandoe era uma criatura quase assexuada, que vivia pros livros por ser uma safada incubada, sem a menor noção do meu pricípio de safadeza. Masturbava-me várias vezes ao dia, mas não sonhava com sexo, não queria dividir o meu sexo com ninguém. Eu não precisava que alguém me desse prazer. O prazer era meu, era limpo, límpido, inocente!

Eu me lembro das amigas com caras de bobas, e pensamentos distantes nas aulas e percebia que no dia da prova me pediriam cola… Por mais que achasse bonito eu não conseguia nenhum nome de menino pra rabiscar no meu caderno dentro de dezenas de coraçõezinhos transpassados por flexas…

Eu me lembro que de tanto achar válido essas bobonas que nasceram pra ser mulheres de alguém, escrevia poemas e cartas para elas tentarem conquista seus objetos de amor ou desejo ou orgulho…

Era uma época doce, daquelas que não sabemos que vai passar. Era a idade da eternidade, juventude eterna, da beleza infinita, aquele tempoo em que todos nós humanos sonos imortais e sabichões!

Um dia, numa falta de professor, uma junção de turma, fui parar na classe dos mais velhos da 6ª série. Foi ali que descobri que eu era um ser no meio do caminho. Velha demais pra ser criança, criança demais pra estar naquela turma de mais velhos…

Ali tinha meninas que pintavam e oxigenavam cabelos. Usavam calça cocota. Falavam palavrões, fumavam cigarro e se agarravam aos carinhas que tocavam violão. Era ali que eu queria estar! Estaria se não fosse tão certinha, tão  santinha. Educada pra ser a heroína da história…

Minha mãe criou duas filhas, feitas sob encomenda para casarem-se de véu, grinalda e flor de laranjeira. Assim casaram.

Ela criou três filhos, também, mas isso não tem a menor importância. Eles são assim: pessoas sem a menor importância.

Minha mãe me parecia ser a dona da bola. Aquela que sabia tudo. Aquela que comandava. Na área, ela era um Romário, se existisse um hibrido de Romario e Rogerio Ceni, este produto seria minha mãe! Dona da verdade. Uma fortaleza. Uma foto na parede… Sim, uma foto daquelas que só sabemos o que tem por trás, depois de destituí-la da sua altura e autoridade…

Foi assim… Surras homéricas,  ameaças e castigos. As proibições eram tamanhas, que hoje percebo que a minha vida inteira permaneci de  “castigo”, tanto que não percebi quando a porta se abriu. Quando os grilhões se partiram, eu era tão indefesa quanto qualquer prisioneiro que não reconhece o mundo depois de liberto. Eu não tinha visão, como qualquer um que passasse anos enclausurado em qualquer convicção alheia.

Minha mãe, ensiou-me a sobrevivência, esqueceu de ensinar-me que vida é pra viver e muito e rápido porque nunca se sabe o tempo que se tem… Mas talvez ela não soubesse disso, embora soubesse tudo…

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Muda o cenário. Luzes claras, palco iluminado.

22101/2009
Numa tarde no finalzinho dos anos 70. Uma adolescente feliz, porque ganhou um collant, decide frente ao espelho, que não usará soutiein. Ela põe o collant, amarelo quase mostarda, que traz a estampa de um gato piscando um olhos. O tecido não é grande coisa e permite que se veja a sombra dos mamilos escuros com bicos não aflorados. Como cones aparados no seu ápice. Ela veste o collant por baixo da blusa da escola, assim pode deixar um botão a mais aberto. Se esse fato tivesse um fundo um musical, seria: “meia comprido, não quer mais sapato baixo”…
Faz uma tarde daquelas, menos quentes que o verão  mas não frescas. Pelo dourado do sol, o mês deve ser entre setembro e novembro.
Ela descobre que não tem aula. Não tem aula. Não há ninguém na escola inteira. Um prédio de quatro andares! Mas há aquele menino da turma mais velha, lembram?
E como ele, 30 anos depois, ainda é vivo e tem família – eu duvido que alguém saiba dessa pequena história, mas na dúvida, melhor chamá-lo de Oliva.
Sim, oliva era a cor dos olhos dele do jeito como me lembro, hoje.
Ahn, ele não era o que se pode chamar de lindo, não era o que podemos chamar de feio. Hoje ele poderia com segurança ser chamado de fofo.
Como dois bobos que vão à escola quando não há aula, eles conversam um papo bobão. Acho que não vale a pena transcrever. Por outro lado, eu sou a única testemunha desse fato… Ah, eles falaram quqlquer abobrinha e de repente estão embaixo de uma árvore, numa passagem que havia entre um colégio e outro. Ela dá mole, ele consegue perceber e pergunta do que nele ela afinal tinha gostado.Poderia ter feito uma pergunta mais fácil… Quando um homem vai entender uma mulher gostar de um “jeito” ? Ele ajuda, mas do quê? Da bolsa, do cabelo? Ela não tem resposta. Porque ele não se interessa em conhecer seu collant novo em vez de conhecer coisas das quais ela nem faz idéia. E assim acontece um beijo. Ele percebe o botão a mais aberto (aleluia!), ele pede pra ver o desenho do collant. Bem, eu deveria lembrar exatamente o que aconteceu ali naquele momento, mas o fato é que tenho dúvidas entre o ocorrido, o desejado e o imaginado… Ele toca os seios dela ou talvez os chupe… Que diferença poderia fazer? Se depois apenas de conta que eles “ficaram”?
Passaria algum tempo para aquelas sensações se perderem. Indiferentemente ao que possa ter acontecido, ela se apaixonou e ele também e só muitos anos depois quando nada mais tinha jeito, foi que eles perceberam. Nunca mais tocaram no assunto, ninguem soube do ocorrido. Não transaram, apenas ficaram e não se deixariam mais, até que a grande mãe (lembram do cruzamento de Romario com Ceni), num toque digno de Odvan ou Júnio Baiano tivesse resolvido que naquele jogo, não teria gol, não enquanto ela ainda fosse a dona do apito e claro, da bola…
Começaram a se visitar, era um troca de olhares tão impreceptivel, que só as meninas a fim do Oliva percebiam. Assim os rapazes a fim dela ganhavam não como como crianças malcriadas ganham palmadas.
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Ela agora frequentava a casa dele, com mais dois irmãos mais novos e uma irmã, cachorro, plantas, pai e mãe. Ela era tão alegre e inteligente que não se via bonita, mas foi assim que conquistou toda a familia e era nítido a felicidade da mãe dele ao ver o filho tendo uma menina por perto. O pai elogiava as idéias e sensibilidade, ela seria a nora perfeita! Riam brincavam lanchavam. Na escola nada se comentava, eles tinha em comum a idade, a discrição que a timidez fabrica e que a insegurança cultiva. Enquanto isso na casa da nossa mocinha, nada de novo. Uma avó terrívelmente amarga, mistura de italiano e espanhol, analfabeta e rabugenta. Irmãos distantes. Nessa ocasião quem mais a entendia era o seu cachorro, vira-lata amarrado numa casinha de madeira na parte superior do quintal. Este sim, sabia de tudo e a ouvia com uma orelha em pé e outra não. Ah, se ele pudesse se soltar, com certeza morderia a velha avó!
Um dia ele a visita e não tem ninguem mais na casa. Ele conhece o quarto dela, a casa da familia, a varanda e por obra daquelas coisas que não sabemos a quem creditar, decidem conversar… No portão!!! Ela está de saia jeans, camiseta de malha Hering e provavelmente havaianas. Ele encosta no poste que fica plantado mais ou menos a 3mtros à esquerda do portão dela. Ela se recosta nele. Ele a abraça. Nem de costas, nem de frente, assim meio de lado. Falam sabe-se mais do quê. As palavras não tinham amenor importância. O que importava é que ele não eradqueles que a qualquer oportunidade corria pra mexer em seus seios, nem chamar pra alguma sacanagem qualquer. Eles curtiam estar juntos, perto e não tinham pressa em acelerar suas respirações.
Fazia calor. A sai jeans era nova, uma reciclagem de uma calça jeans que depois de cortada, descosturada e depois costurada de novo virava uma saia ligeiramente godê, uns tres dedos acoma dos joelhos. Ela tinha pernas bonitas, nada longas porem bem torneadas. Ela tinha cor de canela, de um bombom ao leite, cabelos finos e dóceis cacheados nas pontas. dentes diferentes, claros grandes, bonitos. Um nariz quase perfeito, uma cintura fina e uma bunda de chamar a atenção. Contudo, nada disso ela explorava. Sua ingenuidade era o que seduzia, sua pouca idade era o que atraía e aquele jeito de tô nem aí, deixava os garotos sem saber afinal, qual era a dela. Ele talvez não percebesse muito além do quanto ela era pra ele tudo o que não era par amais ninguem e óbvio as dimensões daquele corpo muito próximo do perfeito.
Tarde, calor, a sombra fresca na rua de barro vermelho e os dois ali, encostadinhos a conversar. Nenhum tesão parecia atrapalhar a cena romântica. Mas são as bobagens que afetam os nosso destinos. E do nada surge, ela, RomaCeni ou ceria Regemário?! Sim, a mãe… A mãe!
-Muito bonito, hein!
-Mãaããeeeiiiinnn!!!!
Oliva se separa rapidamente. Nada tem a esconder, mas de nada adianta não ter.
Ele pededesculpas, sai da calçada vai para o meio da rua pela qual desce, vermelho, agitado, assustado e não diz sequer tchau.
A mãe não faz muitos comentarios, fala qualquer coisa como absurdo, afinal o que é isso?Vocês estão namorando? Ao que ela sem gaguejar diz: -Não. Nos ouvidos da mãe soa como mentira, mas nós sabemos que não era. Mas nós ainda não estávamos nessa história. Apenas ela, Oliva, a mãe, a tarde ensolarada e o poste.

A mãe trabalhava numa escala de12 por 36 horas, o que se dizia “dia sim, dia não”. Ela cresceu estando sozinha nessa escala. A avó trabalhava talvez três vezes por semana. As irmãs ja estavam casadas e os irmãos nunca se sabia por onde andavam. Talvez já estivessem todos casados também ese não, só chegavam em casa paradormir depois de jantar. Havia entre eles uma urgência em não estar em casa. Ninguém conseguia viver com a avó e suas indiossincrasias… Os dias mais felizes desde a infância dela, eram aqueles em que todos iam para o trabalhando deixando a casa livre, vazia e sua alma em paz.

E tudo foi o que resta agora dessa promissora relação com Oliva foram lembranças, e dentre elas, essa lembrança de um dia ensolarada com um flagrante de algo que não houve, a fuga de Oliva por algo que não faziam reforçou uma única verdade criada ali mesmo naquele momento. Ela tinha sim um modelo de príncipe encantado e ele poderia não ser indo nem ter cavalo branco e poderia ser ingênuo e desengonçado, mas ele não poderia ser jamais covarde. Ele precisaria ser no mínimo malandro, daqueles que mesmo não sabendo chegar, conseguem saber sair…. A fuga de Oliva, lhe trouxeram uma decepção muito maior do que aquela do dia em que faca e queijo na mão – os dois sozinhos na casa dele, no quarto dele, na cama dele e ele brochou olimpicamente…

E aí vai um raciocínio interessante:
Uma menina não está disposta a fazer com um menino aquilo tudo o que faz com outra menina… Por mais que as correntes modernosas de comportamento sexual informem que numa cama o prazer é mútuo, que numa relação gay não há que necessariamente ter papéis definidos ou representações desses papéis, o fato é que as expectativas existem. Quando uma garota vai pra cama com outra existe sim, uma cumplicidade por ambas terem pelo menos o instinto do que “funciona” no corpo da outra. O que gera surpresas agradáveis ou não é justamente o pré-estabelecido introjetado nas expectativas de prazer… Da teoria para a prática funciona mais ou menos assim:
Uma garota chega às vias de fato com a outra e não importa os caminhos que as levaram até ali, se ali estão houve curiosidade ou atração, normalmente as duas coisas juntas. Houve também possibilidade e interesse, mas fundamentalmente houve arrojo, coragem. Aquela coragem que nos meninos demora um pouco a vir e que nos primórdios pais poucos esclarecidos ou mesmo apressados em fazer acontecer e impedir outros acontecimentos, acabavam por forçar a barra levanto os pobres pirralhos pra um puteiro! Enfim uma menina se vê em situação de cama com outra e aí tudo pode acontecer. Se uma delas têm conhecimento da experiência da outra, ela vai deixar a cargo da mais experientes as ações. Se uma delas tem uma aparência masculina (essa aparência pode ser gestos e roupas) o ônus de macho fica para quem ostenta a aparência. Se a experiente ou projeto de macho falha, não parte pra cima, não age, acaba gerando uma frustração, pois conforme “seu currículo” leva a outra a esperar

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